Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs)


   PANC ou Planta Alimentícia Não Convencional é o nome que se dá para "matos" (verduras, hortaliças, frutas, flores, castanhas, cereais e outros) que podem ser consumidas na alimentação, mas não são populares em todas as regiões. Existem variantes para que a planta seja considerada uma planta alimentícia não convencional, o que não é convencional para nós, pode ser convencional e tradicional e cultural para outras pessoas. Plantas amazônicas serão não convencionais para um paulista, e convencionais para um morador de Belém ou Manaus, por exemplo.

   Uma PANC pode ser a folha inteira como no caso da Moringa Oleífera (Acácia Branca), Ora-Pro-Nabis e outras, bem como as partes de outras plantas que não são consumidas e na maioria dos casos são descartadas, um belo exemplo é parte folhosa do alho ou da cenoura que podem ser usadas em saladas frias in natura. Uma planta só deixará de ser uma PANC quando se tornar popular, vendida e consumida em diversas regiões, daí então passa a ser uma planta alimentícia convencional, como por exemplo o brócolis, couve-flor e a alface, que são vendidas e consumidas em grande parte do país.

    Só será possível valorizar e conhecer a nossa biodiversidade através das plantas alimentícias não convencionais, popularizando variedades de plantas alimentícias ainda não conhecidas ou pouco conhecidas para melhoria da nossa alimentação, mais opções de alimentos saudáveis e substituições, diversidade para agricultores (venda e compra, produtos mais baratos) e melhor uso e tratamento do solo. É preciso conscientizar sobre o consumo de uma  PANC, popularizar a venda desses alimentos é essencial para que deixem de ser plantas alimentícias não convencionais e passem a ser plantas convencionais consumidas em todo o país. Ao consumi-las e incentivar seu cultivo, estaremos fortalecendo diretamente toda a cadeia de orgânicos, principalmente porque esses "matos", como são popularmente chamados, ainda não possuem preço comercial, pois podem ser encontrados em terrenos e jardins como ervas daninhas, mesmo tendo muito potencial alimentício.

   Usando o exemplo do alho e da cenoura, apesar dos bagos serem populares e muito usados na culinária e da popularidade do alho na comida típica brasileira, suas folhas são quase sempre descartadas por falta de conhecimento. Com o mesmo aroma do alho, mesmo que mais suave, as folhas verdes podem ser usadas para temperar carnes, dar sabor a sopas e molhos e podem ser usadas no lugar do alho sem contra-indicação. Outros exemplos são as folhas da batata-doce e da cebola, que podem ser consumidas in natura.


FORMAS DE CONSUMO 
Cada mato é muito particular, cada uma pode ser consumida de uma forma. No geral existem três formas práticas de se classificar o preparo e uso, são elas:


(Obs: todos os exemplos dados são de plantas alimentícias convencionais para melhor associação)

Plantas que são consumidas in natura
São consumidas na forma de suco e/ou salada, exemplos: alface, beterraba, pepino e outros.

Plantas in natura e processadas
São mais saborosas cozidas e/ou refogadas, exemplos: couve, abobrinha, escarola e outros.

Plantas que precisam de cozimento
Exemplos:  mandioca, espinafre e a batata-doce.

   Para o melhor manuseio dessas plantas é importante conhecer a sua origem, suas propriedades e procedência, todas as plantas precisam ser limpas adequadamente antes do consumo. Muitas plantas precisam passar pelo processo de cozimento para que dessa forma fiquem livres de anti-nutrientes e seguras para a alimentação, nesse caso a água deve ser devidamente descartada após o processo.

   A indicação é que sempre limpem bem as folhas em água corrente e de preferência filtrada, passando o polegar por toda a extensão da folha massageando-a para eliminar bactérias, fungos, resíduos de terra adubada e de venenos de insetos. Em outros casos existe a necessidade de deixar as folhas de molho por alguns minutos em água fria filtrada batizada com duas ou três colheres de vinagre.

    A substituição de plantas alimentícias convencionais para as não convencionais é muito fácil, cada uma possui propriedades específicas, cada uma trará determinado benefício para a saúde, como também sabor. A forma de consumi-las é muito parecida com a das convencionais, bastando saber qual a parte da planta pode ser consumida e qual não pode. No caso da Moringa, por exemplo, basta lavá-la adequadamente com água fria, separar somente as folhas verdes e saudáveis e acrescentar sal a gosto, vinagre ou azeite e caso julgue necessário tomates, cebolas e outros, assim como pode ser consumida em alimentos quentes junto a carnes cozidas ou fritas e/ou em molhos.


PANCs ORGÂNICAS

    Uma PANC só será orgânica quando o cultivo for feito em lugar próprio, nas condições corretas e seguras, incluindo a não utilização de adubos alterados, agrotóxicos e demais produtos químicos.

   Muitas plantas que nascem sozinhas em calçadas de praças e em jardins, consideradas "ervas daninhas" ou "mato" podem ser comestíveis, mas nem todo mato é. Muitas possuem propriedades medicinais, mas não são usadas na alimentação. Plantas que crescem em lugares com poluição e acesso livre para animais de rua, podem estar contaminadas com diversos fungos e bactérias e por isso não podem ser usadas como alimento. Dê preferência sempre que possível à plantas de hortas orgânicas, urbanas ou não, e feiras de orgânicos.


ALGUNS EXEMPLOS DE PANCs

Azedinha (Begônia)
Bertalha
Beldroega (Onze Horas)
Urtiga
Lírio do Brejo
Capeba
Caruru
Pé de Burro
Clitória
Beldroegão
Lírio do Brejo
Celósia
Macassá
Almeirão
Palma
Capiçoba
Shissô
Urtiga
Palma
Taboiba
Jacatupé
Serralha
Dente-de-Leão
Peixinho
Hibisco
Capeba
Folha de Videira
Amaranto
Trançagem
Nastúrcio
Serralha
Tiririca (usada a batata)
Feijão de Porco
Almeirão do Campo (Chicória do Campo)
Arumbeva
Capuchinha
Crepis (Crepis do Japão)
Erva Gorda (Beldroega Grande)
Inhame
Lingua de Vaca (Labaça)
Mastruço (Mestruz)
Carrapicho (Picão)
Taioba
Tansagem
Urtigão de Baraço
Araçá Boi (usada para sorvetes e iogurtes) 

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