Preparação de Medicamentos e uso de Ervas

(Foto retirada de www.beholistic.pt)
Usa-se diversas técnicas para prepar medicamentos com plantas medicinais, melhor se adequando à doença, ferimento, queimadura, contusões e outros de forma a curar rapidamente e com mais eficácia.
Muitas das técnicas que serão apresentadas nesse post são ancestrais, são métodos de utilização das ervas passada por gerações e que continuam surtindo o efeito desejado até hoje. A preparação de medicamentos teve uma longa estrada até chegar aos tempos modernos e se transformar em profissão.
O uso de cataplasmas, decocção e infusão, tinturas, macerações e tantas outras preparações, são técnicas que visam absorver melhor todos os componentes úteis das plantas para agir medicamentosamente. Como um pão caseiro que precisa de fermento biológico e algumas horas de descanso para que surta efeito e cresça, toda erva usada medicinalmente precisa passar por algum processo que traga ou reúna tudo o que ela possui de benéfico.
Segue abaixo alguns termos e a descrição deles para o melhor conhecimento dessas técnicas tão antigas e úteis:
CATAPLASMA
É uma preparação de uso externo, de consistência mole composta por pós (de raízes e folhas) ou farinhas diluídas em água, cozimentos, infusões, vinho ou leite, quando empregadas como maturativas, devem ser aplicadas quentes; como revulsivas, ainda mais quentes; como calmante ou sobre tumores inflamados e dolorosos, apenas mornas.
Para preparar cataplasmas quentes, dissolve-se a farinha em água na quantidade necessária para que forme uma pasta que deve ser cozida até adquirir a consistência adequada. Os pós aromáticos, unguentos, azeites, tinturas e etc., que se deseja adicionar devem ser misturados a eles ou recobrir sua superfície assim que retirados do fogo. Obtém-se cataplasmas frios ao se misturar farinha ou pós com a quantidade suficiente de líquido para lhes dar consistência adequada. As cataplasmas são aplicadas entre dois tecidos e de preferência de linho.
DECOCÇÃO
Preparação adotado para plantas que não perdem a sua eficácia se em contato com fogo ou quando utiliza-se partes compactas e lenhosas. Consiste em ferver a substância em um veículo qualquer. De acordo com a sua duração e a saturação do líquido empregado, as decocções se classificam respectivamente em leves ou brandas, carregadas ou concentradas.
INFUSÃO
A infusão é uma preparação simples. Preparar uma infusão significa verter água fervente sobre determinadas partes da planta, colocadas em recipiente tampado deixando a mistura em repouso pelo tempo necessário, variando de 10 a 15 minutos para plantas com tecidos delicados como no caso de determinadas folhas e principalmente flores e algumas horas quando se trata de raízes, por exemplo. Coa-se o líquido para ingerir.
CONTUSÃO
Consiste em pilar ou amassar com força a substância colocada no gral (pilão/almofariz) para destruir a coesão das moléculas.
FILTRAÇÃO
O objetivo da filtração, como o próprio nome sugere, é filtrar a substância para separar o líquido (solução, sumo, tisana, tintura, xarope). A filtração é substituída pela coadura quando não exige total transparência do líquido. Emprega-se papel de filtro enrolado em cone e colocado em um funil, diferente da coadura, que é feita através de tecidos de lã e de pedaços de algodão ou baeta, podendo ainda usar também o feltro. Um exemplo de filtração: café.
MACERAÇÃO
A maceração é destinada a retirar os princípios medicamentosos da planta através do seu contato, em temperatura ambiente, com algum veículo, podendo durar horas, dias e até semanas. Quando é usado água como veículo de maceração, ela deve ser doce (de rio, manancial ou chuva) e nunca de poços. É o método mais adequado para se obter os princípios ativos e solúveis em toda a sua integridade.
Esse processo é muito lento pois necessita de um início de decomposição da massa antes de se efetuar a penetração total das substâncias, que pode ser evitado se for utilizado o vinho, vinagre e/ou o álcool como veículo da maceração.
MONDAÇÃO OU LIMPEZA
Entende-se por mondação a separação das cascas lenhosas, seja ela da raiz ou do fruto.
A limpeza consiste na separação de tudo aquilo que pode alterar ou tornar menos eficaz as propriedades medicinais da planta. Todas as plantas devem estar limpas antes de ser usada para qualquer preparo.
SUCOS
Os sucos são todos os produtos líquidos contidos em uma planta, seja qual for a sua natureza. Os sucos dividem-se em aquosos extrativos e ácidos.
- Aquosos extrativos - São retirados das folhas de plantas herbáceas, podendo ser usados puros ou para o preparo de extratos, xaropes e outros.
- Ácidos - Procedem dos frutos e caracterizam-se pela presença de um ácido quase sempre livre (ácido málico ou cítrico e as vezes os dois juntos). Para extrair o sumo despedaça-se as frutas na mão passando posteriormente em peneiras e prensando os resíduos. São filtradas em tecido de algodão e devem ser conservadas.
Quando se trata de vegetais aquosos, o suco é obtido através da espremeção e clarificados através de filtração, caso sejam administrados em substâncias, e coagulados a quente, para a preparação de xaropes. Se a planta não for aquosa ou o suco muito viscoso, facilita-se a operação acrescentando lentamente durante a contusão em torno de 1/8 de seu peso em água. Devem ser preparados exatamente no momento de sua utilização.
Quando são viscosos (ex: cerejas, romãs, framboesa, groselhas e outros) é preciso deixá-lo fermentar durante 24 a 48 horas. No caso dos cítricos como laranja e limão, deve-se retirar antes suas cascas e sementes, já que os sucos ácidos podem ser tomados puros, empregados em xaropes ou diluídos em água.
TINTURAS
A tintura consiste em dissolver os princípios ativos da planta em questão em álcool puro. Para esse processo deve-se deixar secar e dividir as partes da planta que serão deixadas no álcool por tempo prolongado, de dois a seis dias (variando sempre de acordo com a maior ou menor facilidade em liberação de seus princípios).
Quando a planta solta seus princípios ativos facilmente a gradação do álcool deve ser de 60º; se a substância é muito rica em princípios resinoso e azeites voláteis, a gradação deve ser de 80º; já para substâncias que contém corpos gordurosos, de 90º.
Após obtida a tintura ela é filtrada e seus resíduos são espremidos em uma prensa para se extrair o líquido restante. Quando para uso interno, a tintura deve ser administrada em pequenas doses (de 20 a 30 gotas), puras ou misturadas em poções e quando para uso externo, a tintura pode ser utilizada em maior quantidade.
TISANAS
O termo "tisana" aplica-se genericamente às soluções, macerações, infusões e decocções. Agregadas a xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes, passam a ser denominadas poções.
TORREFAÇÃO
Usando o fogo como agente e como veículo, por exemplo, um torrador de café, tem como princípio privar substâncias da água que possam conter e modificar algumas propriedades, fazendo-as sofrer o princípio de decomposição.
VINHOS
O vinho medicinal é uma preparação na qual substâncias vegetais sofrem ação dissolvente do vinho, que para esse processo deve ser absolutamente puro. Reúnem todas as vantagens das tisanas e das tinturas já que os diferentes princípios contidos no vegetal podem ser dissolvidos tanto pela sua água, quanto pelo seu álcool. De preparação simples bastando a macerar os vegetais em vinho após limpos, picados e molhados em álcool por alguns dias. Filtra-se o líquido e conserva-se em local fresco.
Quando os vegetais são ricos em princípios fáceis de serem alterados devem ser utilizados vinhos com alto teor alcoólico. Caso seja necessário dissolver princípios tônicos ou adstringentes, usa-se o vinho tinto, já para obter preparação diurética o vinho branco é mais recomendado.
UNGUENTO / POMADA
Os unguentos são as famosas pomadas, de consistência mole são produtos pastosos. destinadas ao uso externo. Devem penetrar a pele através de massagens, o calor que as mãos proporcionam faz a pasta ser absorvida rapidamente e com mais eficácia nos tecidos da pele. Suas aplicações são locais, desse modo, massageia-se o local para que tenha melhor efeito. Tem como base uma substância gordurosa ou de gordura misturadas a ervas.
São divididas e classificadas de acordo com o grau de penetração, conhecidas como Epidérmicas, quando agem superficialmente e possuem como excipientes a vaselina e o óleo mineral; Endodérmicas, quando agem profundamente (são melhor absorvidas pela pele) e tem como base o óleo vegetal, e finalmente as Hipodérmicas, que são absorvidas desencadeando efeito sistêmico, tem como base a lanolina.
Bibliografia:
Plantas de Curam, Vol. I
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